sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Historias de Cidadania - Certidão de desembarque

Eu considero muito justo os comunes seguirem as regras apesar de gostar que eles fossem um pouco mais flexiveis.

Hoje estive num comune de um requerente porque o comune onde foi dado a entrada na prática da cidadania pediu para o comune do antenato não só a confirmação do Atto di nascita mas também um comprovante da data de entrada no Brasil. Procedimento esse que está se espalhando entre os comunes, talzez uma forma a mais de prolongar o reconhecimento de mais um cidadão italiano, visto que estamos à beira das eleições e qualquer emigrante dotado de um tico e um teco não votará no Berlusconi. Será que tem algo a ver com isso ou estou delirando?

Bom, tomei o trem e fui até o comune onde me atendeu uma pessoa razoavelmente simpatica que disse que iria verificar se o email do comune já havia chegado (5 semanas depois de ter sido mandado), procurou, procurou , achou, expediu um atto de nascita na hora e disse que não tinha havido tempo ainda (??????) para que os arquvos fossem encontrados para responder às questões do comune.

E disse que essa semana não seria possivel, e talvez dentro de tres semanas, - tres semanas a mais ! e eu não consegui deixar de escapar um oh! de espanto e de decepção. Frente a isso, ela disse que talvez se eu fosse afortunada e esses dados seriam encontrados rapidamente. Pedi aos Céus que sim, que ela tenha realmente se tocado e tenha uma atitude humana e profissional. E que logo logo esses documentos "apareçam" - e olhe que esse é um comune informatizado.

Aconselho a todos que estão nessa maratona da cidadania juntar mais um documentinho, que é a certidão de desembarque. Traduzam e legalizem e isso vai poupar semanas nesse momento que está virando moda pedirem essa certidão, e a menos que eu esteja muito desinformada, anteriormente só o Trento pedia.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Sonhos e Devaneios

A minha professora de italiano queria entender o que traz os brasileiros para a Italia, coisa que me parece que os italianos não entendem; o que move os italo-brasileiros para esse país com uma economia tão precária, um povo velho de idade e "vecchio di testa", como ela disse. Cabeça fechada para qualquer coisa que não seja a própria Italia. Agora digo eu: um cachorro correndo atrás do próprio rabo, num circulo vicioso e infindável.

Acho engraçado como os italianos, pelo menos os dessa região que é de quem posso falar, amam o Brasil e os brasileiros, mas os brasileiros "no Brasil". O Brasil é o país que pertence ao imaginário do povo italiano; mesmo para aqueles que o conhecem pessoalmente, o Brasil permanece em festa o ano todo e o povo só se diverte. É impressionante a visão infantil que eles têm do nosso país.

Nordeste e Rio de Janeiro e época de férias é o estereótipo do Brasil. Não pensam em São Paulo, na riqueza do interior, nos outros estados a não ser o Amazonas por causa do rio, na distribuição de riqueza desigual, no trabalhador árduo que o brasileiro é. Não pensam em nenhuma outra cidade como produtora e distribuidora de riquezas. Em geral, só existe para eles as praias e o carnaval, a batucada e a caipirinha.

Mas como você veio embora do Brasil pra cá, perguntam à mim e à minha filha principalmente, por não entenderem porque uma jovem abandonaria um local tão cheio de alegrias e prazeres, onde se dança o tempo todo, se ri e se diverte. Acho que pensam que o estado nos nutre e a vida é só carnaval o ano todo. Ainda continuam acreditando na "terra promessa", onde inexiste o trabalho.

Penso que o sonho do italiano é viver de papo pro ar o ano todo, claro que com o Estado patrocinando.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Emigrantes e emigrados

Terminei hoje de completar a listagem dos pedidos de passaporte de Volpago del Montello, Selva e Venegazzù, essas duas últimas, frações de Volpago, de 1876 a 1888.

Ao escrever nome por nome, um pouco dessas pessoas que logo se transformam em multidões povoam a minha mente e me sinto um pouco parte delas.

É impressionante a quantidade de familias, inteiras, que deixaram a Itália. De Volpago del Montello e das frações Selva e Venegazzù foram 430 chefes de familia, homens na sua maioria com a mulher e os filhos, Às vezes mães, pais, genros, noras, cunhados, sobrinhos, netos, irmãos, ou chefes de familia mulheres, muitas também.


A falta de vontade política deixou populações inteiras sem perspectivas e roubou do País, a Italia , gerações. E das gerações roubou a vontade de continuar ser e de viver a vida italiana tendo que buscar por isso outro país que os acolhesse.

O mesmo processo hoje está ocorrendo no Brasil, e é espantoso ver tantos e tantos jovens, educados ou não, estudados ou não, profissionais ou não, chefes de família ou não, procurarem outra possibilidade de vida , deixarem os laços familiares, profissionais, pessoais, o passado para trás para poderem enxergar o futuro.

E enfim a classe política italiana que rejeitou seus cidadãos, continua hoje ainda sem ter criado uma base econômica para sustentar tanto os italianos de nascimento, assim como os de sangue.

E mostra que o Brasil pode segundo o exemplo da Italia perder uma ou duas gerações, que serão irrecuperáveis, causando ao País o mesma desesperança, a mesma falta de perspectiva do jovem italiano que não tem força e garra para mudar o seu país.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Histórias de cidadania - reconhecimento tardio de paternidade

Um conhecido meu, vindo de Londres pra fazer a prática da cidadania, despencou aqui nesta região depois de outras paradas anteriores na Italia. Seus filhos fizeram a prática em Treviso, e para isso ficaram ali cerca de 1 ano e meio. Bem, só podia. Pois como a gente sabe, nas cidades grandes isso demora.

Mesmo assim lá foi ele para Treviso, anos depois dos filhos, e percebeu que seu processo seria muito longo; decidiu retardar e voltar em outro momento para outro comune.

E lá veio ele no final do ano passado. Deu entrada nos papeis, com a non-renuncia na mão - privilégio de poucos, e esperou. Primeiro esperou que o comune analisasse tudo, depois que o comune se comunicasse com Treviso para verificar a situação do seu processo, e depois, passado o vigile, ficou mais tranquilo. Com a mancata na mão tudo parecia simples. Porém, depois de 3 meses de espera ainda nada estava definido.

Num appuntamento definitivo, em conversa com o responsável do comune onde o processo estava correndo, ouviu com a tradução de uma amiga, olhos nos olhos, que infelizmente não havia o que ser feito, o responsável não sabia como resolver o caso dele e o aconselhou, empurrando os docs em sua direção, a procurar outro comune, deixar de lado todo o processo dos filhos e começar de novo. Isso porque a sua paternidade foi reconhecida tardiamente e, segundo a lei italiana, quando isso acontece, o filho deve ir ao Consulado Italiano da sua região no país onde mora e assinar um documento que aceita este reconhecimento de paternidade. Nessas, o tempo passou, e aqui esperando há meses e já quase sem dinheiro, soube neste dia que por isso ele não era nem seria italiano.

No susto e quase sem palavras, explicou sua situação, seu desespero, seus gastos, etc., o que foi traduzido pela sua amiga. O responsável do comune pensou um pouco e ligou para uma pessoa que, depois de alguns minutos de conversa, e por sorte dele apontou a solução para o seu problema:

Há uma brecha na lei que permite que as pessoas nesta situação assinem um documento onde a pessoa aceite a paternidada em frente a um oficial/capo com poderes para tal, e assim se torne cidadão italiano.. Aqui na Italia não basta que seu pai queira que voce seja filho, voce precisa querer que ele seja seu pai. O incrível é que se ele tivesse feito este procedimento no Brasil, aí sim ele não poderia requerer a cidadania, pois quando se aceita a paternidade tardiamente você tem um prazo de poucos anos para requerer a cidadania, anos que já haviam passado.

Situação resolvida. Outro dia estive em sua cerimônia em seu comune. E desta vez, mais do que outras que já acompanhei, o brinde foi mais do que necessário.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Saúde púbica x saúde privada

A água dessa região tem muito calcáreo, a água quando ferve, fica uma nata branca, inclusive a maioria das aguas minerais.

Fiquei preocupada com isso porque eu faço reposição de cálcio, e liguei para o seguro de viagem que eu tinha feito para os tres primeiros meses de viagem. Ele cobre medico particular, exames, entre outros...

Como eu fiquei com uma dor abdominal falei por telefone no começo da noite com o seguro que me ofereceu um medico para vir em casa, mas como não era nada urgente, pra ser razoavel eu não quis deslocar um medico á noite.

No dia seguinte ao falar com o seguro novamente, foi sugerido que eu fosse para Bassano del Grappa para um pronto socorro e que eles mandariam um fax para que eu fosse atendida. Fui para Bassano, cheguei e tinha muitas pessoas na fila, o que se espera do pronto socorro de hospital publico, então percebi que tinham me mandado pra fila do INSS italiano e me mandei de lá. Se eu não tivesse pago o seguro eu não poderia reclamar, afinal o mesmo serviço funciona para todos. E depois fiquei sabendo que não havia sido mandado fax algum.

Liguei para o seguro novamente e marquei uma consulta no médico de base, que era o mais perto de casa, e que era por "coincidência" o mesmo medico q eu teria acesso caso estivesse usando o convenio do INSS Brasil-Italia , ou o mesmo serviço que eu teria direito se eu tivesse feito a Tessera Sanitária. Então paguei o serviço de uma assistência particular e o que eu acabei recebendo foi a mesma assistência a que todo morador da Italia tem direito, sem nenhuma diferença. Pelo menos no que se refere à consulta médica, e eu gostei da médica, mas tive que desembolsar 50 euro.

Com a preocupação da água, fui fazer alguns exames num laboratório particular, e mais uma vez me decepcionei com laboratório, pelo menos na aparência e a qualidade dos exames não tenho condições de avaliar. E tive que desembolsar mais 88,80 euro, eu que achei que o seguro se encarregaria de todas as providências.

Tive sorte, está tudo bem. Mas faço reposição hormonal, e pasma, fiquei sabendo que na Italia não se fabricam hormonios femininos e que a médica nem sabe o que fazer nessa situação mas ficou de pesquiasr. E estou esperando há 15 dias que ela me telefone , e apesar da minha insistência , estou a ver navios, e ela mesmo não sendo Madalena, deve ter ido pro mar...

E espero não ficar com o bolso mais vazio e o seguro reembolsar essas despesas. Pelo menos até agora, fazendo o balanço não valeu a pena eu estar pagando o seguro, mas em caso de um problema mais sério, eu pretendo nem descobrir. O que importa é que estou bem e não estou precisando nem de médicos e nem de hospitais.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Males e benes da Italia

A Italia é linda, a região onde estou morando é cheia de vinhedos e oliveiras, com uma grande atividade industrial.

Parece perfeito, mas o que incomoda é que das 12:30 às 15:30 está tudo fechado, de domingo idem, de segunda também, quarta depois do almoço, muitos. Nas fábricas ainda não sei como funciona. Bancos estou em dúvida, depois complemento.

Sinto a economia estaganada, as pessoas num marasmo que não sei o que é pior, se o stress de São Paulo ou o stress do não fazer aqui na Italia.

Se a economia estivesse bem, eu diria, tudo bem, é tradição, mas os italianos não estão pagando os financiamentos, vivem com salários ou rendas minguados, tudo bem, a classe média vive melhor aqui do que no Brasil. Mas a longo prazo se não forem feitas grandes mudanças não vejo um céu muito "sereno" pra essa classe média italiana que já está à beira da insolvência.

E descobri, claro que à custa da experimentação, que se um produto é muito mais barato que outro, ele é tecnologicamente ultrapassado. O que a princípio irrita, mas quando entendemos que todas as pessoas podem ter acesso por exemplo, a uma máquina de lavar roupa - o que não acontece no Brasil - logo veremos que é uma qualidade do país.

Seguindo com o exemplo de uma máquina de lavar roupa, com 400 euros se compra uma que funciona bem, mas uma Bosch com mais recursos tecnológicos custa 800 euros, aproximadamente, o dobro do preço. Isso sem falar das moderníssimas máquinas que lavam a vapor e o preço mais que triplica em relação às de menor tecnologia incorporada.

Essas máquinas não sei se chegaram ainda ao Brasil pro consumidor final, são bárbaras, e usadas nas lavanderias mais modernas no Brasil, mas o preço aí é compatível com a sua modernidade. Quanto mais, mais. E comparativamente todas são muito mais baratas que no Brasil.

Mas no quesito serviços, o primeiro mundo é o Brasil.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Mas, e sempre tem um mas na vida. Estou me sentindo só, sem os amigos, sem tudo o que era conhecido, mesmo que fosse o grito da criança do vizinho, o buzinar frenético ao longe dos carros na avenida, o trânsito caótico da Av. Paulista, da Dr. Arnaldo, da Av. Heitor Penteado, trânsito que conhecemos, reações tão semelhantes que deixam de ser agressivas para se tornarem parte de um dia a dia que deixamos para trás.

Mas tem o outro mas, não sinto absolutamente falta dos flanelinhas, dos mendigos nas ruas atropelando o nosso trânsito, ou eu atropelando o sono deles; das favelas e da miséria.

Pelo menos aqui nessa região onde estou, me sinto abrigada dessas calamidades sem nunca deixar de lembrar que neste país também começa a crescer um vasto contingente de imigrantes africanos, asiáticos, da europa ocidental, do oriente médio, começando a criar o que nunca os italianos tinham visto, as favelas, os cortiços, os roubos e a violência.

Internacionaliza-se não somente o capital mas também a ausência de estrutura para suportar o crescimento e as migrações, assim como migram as empresas, continua o homem a procurar melhores condições de vida e nem sempre encontram o abrigo das instituições para tal empreitada.

E enquanto aqui ainda deixam-se mercadorias dormirem do lado de fora da loja, rezo e peço a Deus/Universo que fiquem preservadas as relações de confiança entre as pessoas.

Horizontes


Em São Paulo o que mais me fazia falta, apesar de eu morar numa casa e acordar com a algazarra dos piriquitos, sábias, ben-te-vis e outros que não me recordo o nome, era poder ver o horizonte. Ver o horizonte acalma, estabiliza o sistema de equilíbrio do ouvido, cura até náusea - quando estiver viajando e enjoar, experimente fixar o olhar no horizonte, os líquidos que nos proporcionam o equilibrio se assentam e a náusea passa - e nos deixa em paz conosco mesmos. Porisso quero partilhar com voces, meus companheiros de viagem, o "meu horizonte". O "meu" nascer do sol,






E dos fundos do meu apto, à esq. o "meu" Por do Sol

Como não se sentir maravilhosa e abençoada pela natureza podendo usufruir de toda essa beleza?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Cinzentos e Nublados Dias, mas nem menos bonitos por isso

Mason


Assim com pra Roma o Papa é o mais importante, nesse momente a internet pra mim é o que importa, senão não posso falar com os amigos e muito do que é fundamntal para mim fica para trás.

Mason

E poxa, se eu falo ficar para trás lembro da Iris, hoje estou demais sentindo a falta dela.Sei que o pelo dela não está bonito, e isso significa que ela está infeliz com a minha ausência. Mas daqui a tres ou quatro meses, e já se passaram quase dois ela vira para cá. Já tomou a segunda dose da vacina e agora vai ter que enfrentar de novo a quarentena.


Chegando a Basssano Del Grappa



Mas parece que a minha vida, fora isso, aos poucos vai entrando nos eixos. Os problemas aos poucos se arrumando, a vida se acomodando; mas é nesses momentos em que podemos parar e nos sentir, que bate a solidão, a saudade. No atropelo do dia a dia, com situações a serem resolvidas, nem lembramos do que e de quem deixamos para trás. Mas quando nos vemos frente a frente sem a atividade para mascarar os sentimentos, vem a enxurrada de emoções que se não foram reprimidas, foram empurradas para o inconsciente. E nessa batalha do consciente e do inconsciente, o inconsciente sempre ganha. E vem à tona com tudo, como que para lembrar quem realmente somos.




E o dia cinzento e gelado colaborou, para mim o mais gelado que vivi aqui. Não dá para superaquecer o apto, nem virar uma múmia no meio de tanto agasalho, então sentir um pouco o frio até que é saudável, mas agora estou me preparando para mergulhar numa cama e colocar mais um acolchoado, e dormir no quentinho e macio. E esperar que o sol venha nos brindar com mais um dia glorioso.

domingo, 27 de janeiro de 2008

A espera..

Hoje vou contar a maratona que estou vivendo para ter internet em casa. No Brasil, quando queremos esse ou outro serviço ligamos, vem uma pessoa, faz o que tem que fazer, o serviço é ativado e pronto. E reclamamos, pelo menos eu reclamava sempre que tinha que ficar um tempao na linha do telefone esperando e isso e aquilo.

Aqui, estou ainda esperando. Desde o dia 21/12/07, quando uma amiga sugeriu como provedor a Fast Web ao inves da Alice, pois a Fast Web instalava tudo em 20 dias e a Alice em mais de um mes. Entre uma e outra, que seja a menos demorada. Que seja a fast. Que engano, de fast nao tem nada. Eu chamaria slow web.

Bem, dois dias depois do pedido eles fizeram dois contatos telefonicos pelo celular e nos, alegres e contentes esperavamos que fosse feita a instalaçao em sete dias como disse o representante. Balela!

dia 05/01 finalmente um tecnico ligou para marcar o dia mara "sistemar o telefone". Animadissimas marcamos para receber o tecnico dia 07/01 na segunda feira, quando esperavamos que teriamos a internet tambem. Mas veio a pergunta que nao quiz calar: Ele vinha so instalar o telefone, e a internet, nao é tudo junto?

Bom, veio o fulano, mexeu na fiaçao e so! Nao instalou telefone nem nada! Era so um Zé da Telecom para liberar a linha telefonica. Para termos internet e telefone teriamos que esperar o ok da Telecom cair no sistema da Fast Web par entao o tecnico ligar e agendar.

Tres semanas depois e quatro telefonemas feitos à Fast Web(mais slow impossivel), com informaçoes nada verdadeiras, ligou o tecnico e veio no dia seguinte. Mais um dia onde as nossas esperanças de ter a internet conectada foram por agua abaixo. Isso foi sexta-feira passada. Tudo quase certo, pena a tal da linha telefonica nao estar ok como deveria, ou seja, nada de telefone e nada de internet.

Como aqui os serviços sao feitos por empresas/pessoas diferentes ninguem se compromete e nem responde nada muito exato. Agora estamos esperando novamente a Telecom ligar e marcam para um tecnico vir e refazer o serviço e liberar a tal da linha.

Resumo da opera: novo exercicio de paciencia. Quando eu tinha 30 anos e o Tai Chi Chuan foi introduzido no Brasil e eu tive a felicidade de ser aluna do Mestre Liu. No correr das aulas um dia o Mestre me disse que eu tinha movimentos bonitos e que aprenderia muito facilmente mas que eu precisava aprender a "sentar na calma", pois eu tinha muita pressa. Acho que se ele fosse ainda vivo eu diria a ele que afinal estou aprendendo e a Italia, e nao a China tem sido o motor desse aprendizado. Coisas da vida.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Fotos

E a neve chegou pela segunda vez no dia 03 de janeiro. O jardim do predio onde moro:

Da minha sacada, desfocada, mas eu nao poderia deixar de postar.


Os arredores


No caminho entre Marostica e Mason


Paisagem de sonho



O visual do centro de Mason

A Prefeitura à esquerda,

A uns minutos da minha casa

A paisagem é linda, a calma faz bem ao espirito. As mudanças, à vida.














Esperando o vigile... mas nao muito!

Se eu soubesse cantarolar como os passarinhos faria um dueto com eles. Passarinhos italianos sao menos alegres que os brasileiros, mas mesmo seus pios me alegram a alma.

E estou assim, feliz, pois recebi a visita do vigile. Dois dias depois de eu ter dado a entrada no pedido de residencia. Chegou às nove horas da manha de sabado, onde sonadas eu e minha filha filha, nem lhe oferecemos um café, ai! Depois eu nao me conformava com tanta falta de hospitalidade, ate ela ir de novo ao comune e convida-lo. Mas ele nao aceitou porque o prefeito estava para chegar e sugeriu a um colega fazer isso, e eles acabaram tomando um cafezinho no bar ao lado.

Mas foi desfeito um mal estar que eu criei; a chegada inesperada me deixou tonta.

Quando tenho atitude que nao condiz com o que sou fico me sentindo mal, mas quando consigo corrigir me sento muito bem, e estou assim, tudo somado. E a 46 dias no maximo de espera para o consulado responder a non rinuncia cujo pedido sera feito amanha. E nesse ponto aqui estou adorando a responsavel pela cidadania do comune, muito profissional e muito simpatica. E sem enrolaçao. O que esta na lei é cumprido. Molto bene.

E essa cidadania esta andando num ritmo que nao da pra dizer que é ruim, muito pelo contrario.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Chegou a minha CNN!!!!!!!!!!

Enfim, chegou a minha CNN com o nome correto no Brasil, ja foi traduzida e hoje vai ser legalizada. Com um fax mandado de Sao Paulo o comune aceitou fazer a nossa residencia e a partir de amanha poderei esperar o vigile. Ter que esperar o vigile acho o maximo da burocracia. O contrato de aluguel ja chegou no comune, jà pegamos là a cesta para a reciclagem do lixo umido, eles estao carecas de saber onde moramos, ja sabem o endereço, mas regra é regra. E assim vamos cumpri-las e enquanto tudo se pautar pela lei vai indo muito bem.



Sao regras diferentes das que estou acostumada e estranho a principio, mas viver em outro pais que nao aquele onde cresci é estimulante e interessante porque às vezes me sinto uma criança descobrindo como fazer as coisas. E cada dia uma nova descoberta me faz sentir vivendo de novo uma nova oportunidade.



Falando em reciclagem, o que me deixa muito feliz é que o Veneto, aderiu a ela e tem comunes que quem nao recicla corretamente leva uma multa. Exageros à parte, o Brasil precisaria tomar uma decisao dessas. No Brasil sempre separei o lixo para levar os reciclados a um posto de coleta, e mesmo agora que passa toda semana um caminhao essa é uma opçao pessoal. Cada um recicla se quer. A Terra precisa urgentemente de cuidados e esse é o primàrio; ter cuidado com o lixo significa um passo a mais para evitar problemas futuros. Ponto para a Italia. Falta para o Brasil.

Estou feliz de ter terminado a novela da CNN, agora tenho outras que espero termine em seguida. Tenho vindo aqui escrever mas o tempo nunca é suficiente. Ou fica o blog, ou o orkut, ou os emails para responder e sempre fico com a sensaçao de carregar um rabo cheio de mensagens nao enviadas, de amigos sem resposta, de falta de participaçao em comunidades. Sensaçao muito engraçada.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Esperando, esperando, esperando...

Sempre correndo entro num internet point, vejo as minhas msgs e consigo responder uma ou duas de cada vez. Como estou em Mason, tenho que vir a Marostica e os horarios acabam ficando tao restritos que me sinto sinto sempre fazendo tudo pela metade. O fato do ultimo onibus pra Mason ser as 19:20, mas tem dias que o horario é ainda mais cedo e dias que e de hora em hora, dias que chega a duas horas, e dias que o horario muda. E entre as paradas para almoço fica tudo meio quebrado o que temos que fazer.

E por falar em pressa, aqui nem as operadoras de telefone/internet tem. Hoje eu estava feliz porque poderia de novo me reconectar com as pessoas, poder escrever sem pressao do tempo e sem gente falando linguas que me distraem, mas veio uma pessoa para instalar o telefone e vai ter que vir outra pra completar o processo e eu poder finalmente escrever da minha casa. E demoraram dezessete dias para darem o ar da graça apesar de varios telefonemas, tipo alguem vai telefonar e etc. Agora o processo começa de novo. Quem sabe quando virao!

Mas fora isso aos poucos tudo vai entrando nos eixos, num ritmo muito menos intenso do que o nosso ai no Brasil, mas ja tenho TV a satélite, luz, agua, aquecimento, moveis montados, enfim aos poucos mas muito aos poucos vou entrando num ritmo de vida normal.

O que ainda esta me deixando extremamente ansiosa e nervosa é que a minha CNN veio faltando o primeiro nome do meu avo e ainda em novembro pedi a eles urgencia e me mandarem uma com o nome completo. Mas nada. No dia da legalizaçao acabei legalizando a incompleta e o resultado disso, eu que tanto falo para ninguem sair do Brasil sem a documentaçao completa, ainda nao consegui dar a entrada na documentaçao no comune por causa disso. As pessoas que trabalham no comune sao muito simpaticas mas nao aceitam uma virgula fora do lugar e estou agora a espera da CNN. Pedi a eles que mandassem um fax ao comune para que o processo possa ser iniciado e estou esperando. Espero que nao seja Godot.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Linguagem e Metalinguagem

Hoje esta esfriando de novo e nao passarei frio, alias nao passei frio, mas so uma friagem no nariz. Como e bom ter aquecimento, agua quente para tomar banho em casa e logo logo direi como e bom de novo ter internet pra poder se comunicar com os amigos e pessoas queridas. So avaliamos o quanto essas comodidades fazem a vida ficar mais gostosa quando nos vemos privadas delas por uma razao ou outra.



Cada paisagem que eu vejo, cada angulo da rua, tenho vontade de mostrar, cada nascer do dia que eu vejo da minha janela da sala, aquele ceu e aquele esplendoroso sol se levantando quero mostrar, mas nao tenho segurança de trazer fotos para esse internet point com medo de um virus qualquer. Pode ser bobagem minha mas terei que esperar um pouco mais para compartilhar esses momentos.



Como desde os pequenos habitos aqui sao diferentes temos que perguntar sempre a alguem como funciona isso ou funciona aquilo. Tenho no andar de baixo uma senhora muito gentil que sempre se mostra disponivel pra nos mostrar onde fica isso ou aquilo. Outro dia quando nao estavamos conseguindo ligar o aquecimento apesar de teoricamente tudo estivesse certo, ela veio e nos mostrou o que sabia, e nos contou uma historia que eu fiquei um tanto quanto alarmada.



Me contou que numa tentativa de roubo, ela tinha sido agredida por tres rapazes e uma moça, e frisou muito o fato de ter uma ragazza junto, e que levou 7 pontos na cabeça. Que os rapazes eram de comunes vizinhas. Eu comentei com a Julia sobre a situaçao e ela me disse que tinha entendido que a senhora tinha bebido um pouco mais de vinha do que estava acostumada e tinha tropeçado e levado sete pontos na cabeça. Detalhe, essa senhora so fala dialeto do veneto. Conclusao, talvez a historia tenha sido outra e nem eu nem a Julia tenhamos entendido nada. Essa foi a segunda vez que quase morri de rir desde que cheguei à Italia.

Essa historia serve muito para lembrarmos que nem sempre o que ouvimos tem o mesmo significado para cada pessoa que escuta e apesar de nao falarmos num dialeto falamos sempre com textos e subtextos ocultos em cada palavra e em cada olhar.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

E hoje a luz foi ligada, amanha terei aquecimento e poderei tomar banho na minha propria casa. Esses dias tenho emprestado o chuveiro de um amigo. Mas como um gato eu adoro o meu cantinho, a minha casa, o meu lar doce lar, e mesmo quando ele e amargo o que nao e o caso, nada melhor do que ele.

Em Mason onde estou morando, um vilarejo de 3.500 pessoas apesar de ser um local muito agradavel, com uma linda vista das montanhas, a diferenca de estrutura e brutal se compararmos com Sao Paulo. Tem a sede do governo local, uma igreja que jamais poderia faltar num Pais catolico como a Italia, um pequeno supermercado, uma tabacaria , uma pizzaria, um local para tratamento de pele, alguns outros pequenos locais comerciais, mas tudo que se tem que fazer desde ir a um internet point, comprar creditos para o celular, ter aulas de italiano e tudo o mais ou se vai a Marostica, que fica a um pulo, ou a Bassano del Grappa, dois pulinhos -de carro.

Hoje fui a Bassano para resolver questoes da internet (que so terei depois do Natal), comprar creditos para o celular porque aqui em Marostica (que e de onde escrevo) nao tinha.

Adorei Bassano com suas lojas elegantes, suas construcoes antigas, seu centro historico e voltarei um outro dia para tirar fotos e sentir melhor a cidade sem pressa e sem pressao de tempo.

Ja fui a Padova e a Treviso mas so para comprar moveis e objetos para o apto e nem tive tempo de sentir a cidade. Estao na minha lista na coluna "curtir".

Ontem fui a Vicenza fazer o meu codice fiscale. Ja posso comprar e colocar as compras em meu nome.

E tanta coisa pra contar mas o meu tempo se esgotou. Quando eu tiver a internet instalada ficara facil. E ainda nao me acostumei a esse teclado sem os acentos (eu trouxe um teclado em portugues que so poderei usar depois que os moveis forem montados na segunda-feira) mas o momento e de viver tudo novo no Velho Mundo, velho demais e que precisa urgente se oxigenar senao morrera.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

MInhas primeiras impressoes

Enfim, dentro da loucura que a minha vida se tornou nesse ultimo mes, agora pude parar um pouco entrar num internet point e poder escrever.

Nessas alturas da minha vida deixar tudo para tras e começar de novo esta sendo muito estimulante. E enfrentar esse frio da Italia é tudo o que eu queria, andar e olhar essas paisagens, essas montanhas povoadas, em cada pedaço um agrupamento de pessoas, outro comune. Tomar una cioccolatta calda, estimular os sentidos para captar novos sinais de uma forma diferente de encarar a vida, mais calma mas nao menos recheada de vida.

No segundo dia aqui vi a neve, ou melhor, os efeitos dela. Tudo branquinho, as estradas, os montes, as casas, as arvores, os telhados. Paisagem branqueada pela natureza e colorida pelos nossos olhos e pelo ceu azul e pelo dia ensolarado. Nunca esquecerei esse primeiro dia.

Cheguei atrasada ao aeroporto de Congonhas em Sao Paulo onde dia 11 de dezembro às 17:45 hs o meu voo partiria para Veneza com escala em Madrid. Mas na correria do dia, além de esquecer
a maquina fotografica e muuuitas outras coisas pessoais cheguei, corri mas nao consegui alcançar o aviao. Mas foi a melhor coisa que me aconteceu, numa classe turistica seis horas depois eu consegui vir dormindo em tres poltronas porque peguei um voo extra e assim começou a sucessao de coisas boas que estao me acontecendo na Italia.

Claro que tem alguns impedimentos, ainda nao tenho luz mas tenho velas...entao tutto va bene.
E acolchoados quentinhos que nao da vontade de sair da cama.

Assim que cheguei fiquei num Bed & Breakfast em Marostica, onde eu tinha que sair da casa às 10 horas da manha e so podia retornar depois das 18 horas e se eu voltava tarde o dono da casa fazia a maior cara feia! Costumes da Italia. Mas depois disso fiquei mais dois dias numa hotel e ontem pela primeira vez dormi no meu apto. Na verdade acampei porque os moveis estao todos para serem montados, sem luz e sem aquecimento. Hoje vai ser resolvido o problema do aquecimento que nao foi complicado porque os edredons aqueceram muito bem. O dificil foi levantar e encarar o frio. Com nao tenho chuveiro hoje me senti a propria europeia, sem tomar banho rsrs. Mas um amigo ofereceu pra tomar banho na casa dele, o que vou fazer assim que sair daqui. Hum, um chuveiro quentinho nesse frio, vai ser o maximo.

Volto outra hora, mas internet em casa so terei na semana que vem.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Pausa para a viagem

Caros Amigos,

Depois do choque, fiquei esses dias um pouco fora do ar pois não estava preparada para essa eventualidade. Mas como me escreveram "nada acontece por acaso", tenho a certeza disso também e olharei com outros olhos essa separação, mesmo que provisória. E daqui a alguns meses assim que ela estiver preparada nos reencontraremos.

Estarei esses dias muito envolvida com a viagem, então só voltarei a escrever quando estiver tudo mais tranquilo, o mais tardar dia 13 e postarei fotos da viagem e o que acontecer de interessante. Quem quiser me acompanhar será muito bem vindo e nos momentos de solidão me lembrarei que tem voces e não me sentirei só.

Um grande abraço a todos e

Até lá

Nuvens negras na minha viagem

Chorar resolve problemas? Claro que não, mas limpa a alma e a minha hoje será limpa com muito choro, mas vai ficar uma tristeza imensa.

Acabei de receber uma ligação da veterinária: a Iris não vai poder viajar porque não tem anticorpos contra a raiva suficientes.

Essa cachorrinha estava na UIPA, onde nasceu quando a sua mãe prenha foi atropelada e levada para lá. Lá viveu por um ano e meio até eu me apaixonar por ela. Segundo a veterinária, quando eu dei todas as vacinas para tirá-la de lá ela devia estar fraca e subnutrida então o organismo não reagiu como deveria.

Agora ela deve fazer nova vacinação e controles, nova quarentena e só daqui a 8 meses, se ela reagir poderá sair do País e terá as condições para entrar na UE.

Estou com uma dor no coração e nem sei como fazer sarar isso. Acho que não sara.

E o mais estranho que quando eu recebi a notícia e comecei a chorar, Iris comecou a passar mal, com dificuldade de respirar. Esses animaizinhos são muito mais do que pensam que são.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Dilema

Aqueles que já passaram uns meses fora do país sabem a trabalheira que antecede a viagem, e eu que nunca fiquei fora mais de um mes, estou numa incrivel maratona que vai desde um check up à compra de mais uma camiseta de manga comprida pra usar embaixo de uma malha ou encontrar com aquela/aquele amigo/amiga querido/querida que não dá pra gente ir embora sem dizer tchau pessoalmente.

E os muitos que me despedirei por email, não porque goste menos deles, mas por que será impossível abraçar todos pessoalmente. E muitos que já perdi de vista sequer saberão.

Como levar o mínimo mas não deixar coisas tão importantes como aquele livro que está começado e não quero abandonar e aquele outro que comprei e fica me namorando todo dia em cima da mesa, e que eu não tenho tido tempo pra ler, e os CD`s, qual levar e qual deixar, quando cada um representa um momento na vida.? Como levar o canto dos sabiás que todo dia futucam o meu jardim e o bando de maritacas que me trazem alegria com a sua algazarra pela manhã, como abandonar?

É aí que entra o mais importante. Deixar para trás, renunciar a pequenas coisas materiais, multiplas emocionais, se liberar, se libertar, se desprender, se transformar.

Abrir espaços para permitir que outras pessoas possam chegar, outras paisagens, outros objetos, outras atividades. E com isso preencher o que não foi vazio, mas esvaziado para poder se renovar.