domingo, 30 de março de 2008

Sigamos o exemplo de Benjamim Franklin que há dois séculos já pensava assim!

Para desfrutar melhor a luz do dia, a hora oficial na UE será adiantada de uma hora durante sete meses, de forma que o horario de trabalho e o periodo escolar coincidam melhor com a iluminação do sol.

Hoje, domingo 30 de março volta a hora legal, o nosso "horário de verão". Todos os cidadãos da União Eropeia, nesse sabado para domingo, adiantaram uma hora o relógio, perdendo, em teoria, preciosos sessenta minutos de sono. O objetivo é o mesmo do nosso horário de verão no Brasil: de recuperar uma hora a mais de luz ao fim do dia, postergando o uso da luz eletrica em milhões de casas, escritórios e fábricas.

Segundo os gestores das redes elétricas italianas, avançando os ponteiros do relogio uma hora para frente, se prevê nos próximos 6 meses uma economia de energia eletrica equivalente a 646,2 milhões de kwt /hora. Economicamente, considerando que um kwt/hora custa em media ao cliente final 13 centesimos de euro liquido de impostos, estima-se que a economia relativa para o ano de 2008 seja de 84 milhões de euro. A hora legal continuará em vigor por sete meses, terminando dia 26 de outubro, quando entrará em vigor novamente a hora solar.

Amigos, não se esqueçam que a partir de hoje a diferença de horário entre Brasil e Italia é de 5 horas. Quando for meia noite no Brasil, os relógios aqui apontarão 5 horas do dia seginte.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Começo de primavera, frio e neve! Contrasenso ?

Que começo de primavera! Esperava uma estação definida e hoje, apenas mudada a estação esfriou, choveu, gelou.

Fico pensando que o fato de não termos estações definidas no Brasil define um traço do caráter nacional, a flexibilidade. De manhã chove, no meio dia um sol escaldante, à tarde esfria e à noite gela. Como podemos viver num tempo assim e funcionar inflexivelmente; como hoje é inverno então sairei de malha, luvas e gorro, e se faz calor ao meio dia? Devemos corrresponder aos ciclos da natureza porque fazemos parte dela.

A Europa sempre considerada com estações definidas, rigidez pessoal, não estará agora se aproximando de grandes mudanças pessoais ao lado dessas mudanças climáticas?

E sabemos que a necessidade de mudanças de comportamentos e paradigmas é a única salvação desse planeta. Nosso lar, nossa moradia, nosso aconchego se o preservarmos, respeitá-lo e ouví-lo. Ouvi-lo sim porque dia a dia ele nos manda mensagens furiosas pelo desrespeito com que vem sendo tratado.

O lixo nas ruas de Napoli, quando queimados estão contaminando o ar e as fábricas de alimentos, que estão tendo prejuizos pois seus produtos consumidos na China estão sendo rejeitados pela toxidade, por exemplo do queijo de bufala. A queima do lixo traz material tóxico que as/os bufalos ingerem e passam através do leite se concentrando no queijo que sai das fábricas contaminado, apesar de todo o cuidado na produção industrial.

Não existe um fato isolado na Natureza. Como a lei da fisica, vc faz uma ação, chuta uma pedra, e tem uma reação, a pedra vai longe e o dedo machuca rsrs Assim a Natureza. Se a ferimos, os feridos seremos nós, Raça Humana.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Saudades do caminhão de gás , e mais do gás encanado

Eu, assim que cheguei, me defrontei com uma situação que de certo já havia ouvido falar, mas como boa paulistana preferiria que fosse diferente: a falta de serviços. Acho que já comentei algo neste blog, que os italianos foram acostumados a resolver as coisas por si mesmos.


Tem que consertar algo na casa, o homem da casa conserta; tem que montar um móvel, instalar um equipamento eletrônico, seja ele fogão embutido ou qualquer outro, o homem da casa faz. E assim vai...não é costume pagar para outras pessoas fazerem tais serviços . Uma, porque o italiano de uma forma geral ou tem poucos recursos, e portanto acha um despropósito tais gastos, ou porque não há quem faça esse tipo de serviço mesmo pagando.


E assim surgiu, logo nos primeiros dias que mudei para o meu apartamento, a necessidade de mão de obra. Uma pessoa que instalou a cozinha fez a gentileza de acompanhar minha filha a um depósito para comprar o botijão de gás de cozinha e também o instalou. Aqui ao lado há um loja que vende, mas não entrega! É pesado, e tem que ser colocado em um local relativamente fundo, e por cima uma tampa grossa de concreto e sem alça.


Nessa primeira compra perguntamos na loja se eles poderiam entregar, e eles falaram que não, mas como moramos na rua de trás eles fariam uma excessão e trariam um botijão até nossa casa. Aqui na Itália, ao contrário do Brasil, alguns favores não são normais, e se pedirmos mais de uma vez recebemos no mínimo uma cara feia.

Quem vende é o dono e o filho do dono, e eles não querem entregar nem instalar mesmo. Então começou a correria pra tentar achar alguém que entregasse e colocasse no devido lugar o bentito botijão. Pensamos até em trocar o fogão por um elétrico, assim seria mais seguro e evitaríamos essa pequena dor de cabeça. Mas para nossa alegria, depois de algum tempo e pesquisa, e alguns dias sem cozinhar, descobrimos que há solução e encontramos uma pessoa que trouxe o botijão, instalou e mais, não reclamou! Ah....que alegria. Depois dessa ...só a maquininha que pica alho.

Impressões da paisagem

A Primavera ainda não chegou, mas já se sente e se vê as mudanças. Ao olhar as montanhas e as planícies nota-se que muita coisa mudou. As cerejeiras que começaram a florir há uma semana já se encheram de flores, e assim vão surgindo flores baixas e altas, amarelas, brancas, rosadas ou azuis nos mais diversos arbustos, árvores e forrações.

Antes se viam morros e áreas planas com suas árvores secas e gramado abatido, pálido, devido ao frio e à neve esporádica. Mas esses gramados, mesmo com a neve, por alguma mágica resistência não morreram, e depois do degelo lá estavam eles, completamente sãos.

Mas agora, com o mudar da estação, a paisagem que já mostra mudanças se preparava para se adequar também à mudança das pessoas. Nas paisagens se vê mais cores, mais alegria, e assim espero ver também nas pessoas.

O verde marcante, vivo, já aparece no horizonte e meu olhar já registra cenas incríveis da formozura da região. Verde tão forte que parece que foi pintado com canetinha, de uma homegeneidade difícil de compreender que exista depois de mais um inverno.

E aqui, onde as videiras são a maioria, e certamente há mais videiras que homens e mulheres, suas plantações que já se esverdeiam, preparam-se também para o período em que as folhas de uva começarão a surgir. Estou acompanhando tal processo e como pouco conheço, estou ansiosa para saber quando isso ocorrerá.

E se aqui as videiras ainda se preparam, um pouco mais ao Sul, mas ainda no Norte, nos arredores de Verona, prevalecem as plantações de cerejeiras. E lá o rosa pipocado já marca a paisagem.

Essas paisagens me remetem a cenas antigas de amigos reunidos nas varandas tomando um chá ou suco ou algo assim, olhando a paisagem e colocando o assunto em dia. Afinal, a paisagem daqui de tão bucólica e agora estonteante, facilmente remete ao nosso imaginário, e cá estou eu, no meio de tal cena de quadro. Parece que a hora de sentar para tomar um bom chá e comemorar a nova estação se aproxima.

sábado, 15 de março de 2008

Campanha de Prevenção de Cancer uterino

Recebemos, eu e minha filha, uma convocação da Azienda Sanitária para comparecermos no dia 17 de março às 15:15hs no Consultório de Maróstica para fazermos um Pap-Test- teste de prevenção ao cancer uterino.

Creio que todas as mulheres residentes na Italia, italianas ou não, receberam esse aviso. Para tanto precisamos apresentar o Códice Fiscale, simples documento que fazemos assim que chegamos à Italia, documento esse equivalente ao nosso CPF.

Esse é um dos lados positivos da Italia, todas as mulheres aqui legalmente residentes têm direito a um exame preventivo, mesmo que ainda não tenham a Tessera Sanitária.

A Tessera Sanitaria é uma carteirinha pessoal que permite aos cidadãos o acesso à assistência do Servizio Sanitario Nazionale. A Tessera contém os dados pessoais e assistenciais e também o codice fiscale, e é válido em todo o território italiano e permite obter assistência de saúde também nos outros países da União Européia.

Pra nós, italobrasileiros, depois de fazer a Residência e o Códice Fiscale, devemos fazer a Tessera Sanitária provisória que nos garante atendimento médico/assistencial em caso de doença, enquanto esperamos o reconhecimento da cidadania.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Diferenças sim, abismos não!

Estava eu outro dia observando a paisagem num local aqui na minha região, fazendo um gireto. Um ônibus que passava na estrada reduziu a velocidade (que já é baixíssima); o motorista olhou para a esquerda e acenou para uma mulher e uma criança que brincava no jardim de uma das várias casas de frente para a "estrada".

Para entender: estrada aqui (daquelas que interligam pequenas cidades), para quem nunca veio para Italia, é uma via com trânsito não muito intenso mas relativamente constante, onde tem casas na beira, plantações, lojas, etc, tudo algumas vezes junto e com uma constância que se diferencia enormemente dos quilometros e quilometros não ocupados na beira das estradas do Brasil e de diversos outros países. Aqui Autoestrada sim é semelhante às nossas grandes estradas brasileiras.

...então o motorista sorrindo depois de acenar chamou o nome da sua filha, uma criança simpática que acenou gritanto "Ciao papà".

Oras, não dá pra não sorrir vendo isso. E o pai, que deve fazer o mesmo trajeto diversas vezes ao dia, vê a família também diversas vezes, ao mesmo tempo que trabalha. Mas imagina se a mulher não está em casa ou se há alguém estranho. Daí ele pergunta: Onde estava você mulher?! hehehe

Apesar de eu no início achar estranho a existência de diversas casas nas beiras das estradas, pouco a pouco estou me acostumando. Ao menos aqui nesta região todo espaço de terra parece estar ocupado, e uma cidadezinha se liga na outra de uma forma que faz com que não existam áreas não ocupadas.

Eu, particularmente, não gosto de lugares barulhentos e morar de frente de uma estrada me deixaria maluca, mas aqui é normal e mesmo os ricos muitas vezes vivem assim.

Mas, independente do fato deste motorista morar na beira da estrada, o que sem dúvida o beneficia por poder ver sua família, ele trabalha sempre nas proximidades da sua casa, tem uma casa boa, um carro, etc. Mora num local que em poucas centenas de metros também vivem donos de indústrias da região, profissionais liberais e outros. Pode-se ver diversos tipos e tamanhos de casas e lojas. Casa simples, pequenas, grandes, etc. Coisa muito diferente ocorre no Brasil onde pobres e ricos não se misturam, bairros são divididos por classes sociais e trabalhar nas proximidades de casa é privilégio de poucos.

Claro que aqui também existe isso, especialmente nas cidades maiores, mas aqui vejo como o convívio entre quem não tem tanto e quem tem pouco parece mais harmônico e humano.

E, aos poucos fica claro que salvo as diversas críticas que tenho com relação a este país, de uma forma geral acredito que aqui há muito mais qualidade de vida do que na maioria das cidades do nosso Brasil.

domingo, 9 de março de 2008

E a fila anda...

E será que vir pra Itália é tão ruim assim?

Bem, nem tanto. Achar emprego é possível, contrato permanente é possível, viver uma vida digna é possível, se encontrar na vida é possível. Bastam algumas coisinhas....

1. Ter a cidadania européia. Isso não é o fim do mundo, afinal, este mesmo blog começou por isso e imagino que muitos dos leitores também estejam lendo este artigo por isso....e sabemos que se você tem direito, há alguma forma de conseguí-la.

2. Falar italiano - ao menos o be-á-bá. Factível, afinal, língua não muito diferente da nossa, se aprende antes de chegar na Italia ou aqui mesmo, na raça ou com um pouco de estudo - que encurta o prazo e facilita a vida.

3. Um pouco de dinheiro. O que está vinculado aos dois itens anteriores. Todos sabemos que sem dinheiro tudo fica mais difícil, ou impraticável.

Pra quem quer um emprego simples, com um salário digno (digo digno por ser suficiente para ter uma vida digna, mas sem luxo, sem muitos extras, apenas digna e dependendo da pessoa e da atitude, uma certa graça) esses três itens são suficientes. Claro que há os que não querem isso, querem mais ou menos, e daqui vão para outros países com mais ofertas, e assim mais oportunidades e melhores salários, mas com outra forma e qualidade de vida.

Aí que entra a escolha. Ah sim, e há os que gostariam de ficar aqui mas apesar de procurarem não acharam um emprego nos moldes acima. É uma pena, mas acontece, afinal, a Italia é um país em crise.

E nesse mérito se encontra quem quer mais do que os itens 1 e 2, e tem mais do item 3 do que somente para realizar o item 1.

Na verdade é mais do que "quem", e sim "o que". Documentos, documentos, documentos....

Tirou a cidadania, oba! Fala italiano, oba! Tem alguma reserva financeira, ufa! E não quer um emprego como operário, quer atuar na sua área de formação, ou trabalhar em algo diferente, montar um negócio, mudar de vida, abrir novos caminhos...

Por sorte, para a maioria, diploma universitário não é requisito indispensável na Italia. É possível fazer muitas coisas sem ter muitos anos de estudo, ou ter cursado apenas até a 'terça média'. Salvo engano, e me digam se fizer algum, equivale ao nosso 3o. colegial no Brasil.

Mas, dependendo da atividade que for desenvolver, é necessário validar seus estudos aqui. E isso inclui necessariamente aqueles que querem desenvolver atividades que requeiram bacharelado, mestrado e etc.

Aí entra a etapa 4.

4. Há uma lista pouco amigável do Consulado italiano com todos os documentos necessários para que os diplomas sejam legalizados (diploma, conteúdo programático, etc.). Nada impossível, afinal impossível não existe, mas requer mais um pouco de tempo, paciência e gastos. Com os docs na mão e já traduzidos deve-se ir ao consulado legalizá-los. Boa notícia é que NÃO precisa de agendamento. Mas...o consulado deve emitir uma carta com a análise de todos os diplomas apresentados, que conterá inclusive que tipo de atividade você poderá desenvolver na Itália (algo que para mim soa um pouco estranho), abaixo descrito:

“DICHIARAZIONE DI VALORE E LEGALITÁ
È rilasciata dall’a embasciata o dal consolato italiani del paese dove è stato conseguito il titolo. Nella dichiarazione andranno specificate:
- la posizione giuridica della scuola statale (come la scuola è riconosciuta dallo stato);
- l’ordine e il grado degli studi;
- gli anni di scuola frequentati;
- che tipo di studi permette di continuare il titolo conseguito e che tipo di lavoro può essere svolto.
- a che tipo di scuola può essere equiparata in Italia (scuola media inferiore, scuola profissionale triennale, scuola superiore quinquennale, università).”

Para abrir uma empresa, por exemplo, dependendo do tipo de atividade, nada disso é necessário. Dependendo do tipo de atividade, isso é indispensável.

Dependendo da sua profissão e do conteúdo programático dos institutos de ensino onde você cursou, e da equivalência ou não aos institutos de ensino na mesma área aqui na Itália, será necessário cursar um período adicional de curso aqui, ou fazer algum trabalho, ou algo do gênero.

Tudo isso para partilhar com vocês que há possibilidades, há nichos de mercado, há oportunidades. Mas para isso é preciso pesquisar, querer, batalhar e....obviamente voltar pra fila do consulado!

Temos que admitir, esses danados são bons (opa...???), não coseguem viver sem a gente! E apesar de não ser o meu caso, lá vamos nós trávez.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Histórias de cidadania - Modo de assinar Brasil x Italia

Um conhecido que tirou a cidadania rapidamente se apressou para comprar sua passagem para a Espanha, onde voltou a morar. Carteira de identidade italiana na mão, poucos dias depois já estaria no avião.

Por sorte decidiu comprar a passagem dois dias depois, para sábado, pois na sexta-feira pela manhã recebeu um telefonema do comune pedindo para que ele comparecesse lá com sua carteira de identidade pois ela teria que ser refeita.

Nós que temos geralmente dois sobrenomes, quando nos tornamos italianos perdemos um deles, quando não os dois para um outro. No caso dele, por distração e costume, assinou seu nome por extenso, como solicitado, mas esqueceu que aqui na Italia seu nome era outro...resultado, teve que refazer sua ssinatura. Voltou a comune, assinou uma nova identidade, e no dia seguinte viajou. Tudo certo e com novo nome, lá foi ele alegre e contente.

Dúvidas de consumo

E com a chuva veio a vizinha - aquela do dialeto. O subsolo com um pouco de água, mas nada assustador, então ela veio avisar o que aconteceu. Na verdade veio também recrutar para o trabalho. Justo.

Com o rodo na mão, lá foi minha filha - que por sinal detesta trabalho doméstico.

Ela disse que não riu pois não dava, mas quando chegou no subsolo, estavam 3 pessoas empurrando a água com vassouras de piassava.

O porquê é um mistério, afinal o rodo foi comprado num supermercado daqui. Mas a vizinha ainda perguntou se tinha sido caro...

quarta-feira, 5 de março de 2008

Tempo, tempo, tempo me faz lembrar Caetano mas não tem nada a ver com isso o que vou escrever ...

Os dias estavam ficando mais quentes e à noite dava pra tirar pelo menos um acolchoado. Antes de ontem a segurança pública avisou que o tempo iria mudar e durante o dia já começamos a sentir mudanças na temperatura e no vento mais frio que os dias anteriores.

Achando que o inverno estivesse terminando, saí de casa com menos agasalhos que devia, apesar de permanecer com o gorro e a luva dentro da bolsa, itens indispensáveis aqui quando ainda é inverno. Mas na medida que a tarde ia caindo, a temperatura também prenunciava queda.

Consequência: uma coriza começou a aumentar e a garganta a arder e eu corri para uma farmácia homeopática. Em vão. Ontem, eu quebrada pela gripe fui salva pelo meu chá de gengibre com cravo e canela e mel e mais Naldecon que eu trouxe do Brasil.

E viva os remédios brasileiros, porque os que experimentei aqui da medicina tradicional (e mesmo nesse caso a homeopatia não funcionou) não fizeram nenhum sucesso com as minhas bactérias, aliás acho até que fizeram sucesso demais, não funcionaram e elas devem ter batido palminhas pra farmácia italiana.

Mas eu encontrei numa farmacia homeopatica uma termo pomada de arnica com uma "erva do diavolo" que queima , mas que acaba com as dores musculares. Maravilhosa.

Ontem até chuva de granizo teve e a chuva foi tão forte que inundou as garagens e as lavanderias. Sim, no plural, porque aqui nesse prédio onde moro, no subsolo cada um tem uma garagem individual e uma lavanderia individual também, que ao contrário do Brasil fica separada do apartamento. Contrário também à maioria dos prédios que nem lavanderia têm, e a máquina de lavar fica no banheiro. E as roupas são secas nas sacadas. No meu caso apesar de eu ter uma secadora, as peças mais delicadas também seco na sacada. Jeito italiano de ser.

Falando em jeito italiano de ser a minha professora de italiano me falou numa conversa que eu parecia estar orgulhosa de ser italiana ao que eu respondi, sim, tenho tanto orgulho de ser italiana quanto tenho orgulho de ser brasileira, porque se as minhas raízes estão aqui, a minha vida toda e a minha formação foi lá e tem muita coisa do Brasil a ser admirada. E quem ficou admirada com a minha resposta foi ela. Deveria ela pensar que para mim só a Italia é importante, mas ela se esquece que se as raízes dos antepassados estão aqui, as minhas raízes estão no Brasil e que para os meus descendentes o Brasil será tão importante para eles quanto a Italia foi para mim a vida toda.

Hoje a temperatura já abaixou bastante e se vê as montanhas cobertas de neve, o que já não acontecia anteontem.

Imagem x Realidade

A imagem da italia, pelo menos para nós brasileiros é a de um país com pequenas empresas e altíssima tecnologia. Mas vivendo e comprando se percebe que existe um abismo entre empresas de alta tecnologia e as empresas produtoras em geral.

Imagina-se com isso que a tão propalada qualidade italiana, que de fato existe em alguns setores, signifique também que não haja acidentes de trabalho, ou que eles sejam mínimos em um país dito de primeiro mundo.

Mas imagem é uma coisa e realidade é outra. Todo dia, mas todo dia mesmo, nos noticiários de TV noticiam-se a morte de operários vitimados em acidentes de trabalho. E fico indignada com isso, como é possível um país não ter regras de segurança para os produtores de riqueza. E acho que pouco se importam se africanos, romenos, albaneses e imigrantes em geral, que se submetem a qualquer trabalho sem nem saber quanto vão ganhar, pois não compreendem o italiano e nem sabem que tipo de contrato de trabalho assinaram, se estarão seguros ou não, se perdem uma mão, um braço ou a vida.

Isso digo pois conheço vários imigrantes que se encontram exatamente nesta situação (o que inclui também italianos). E uma coisa que me entristece é que trabalho até há, mas com condições de segurança em geral extremamente insatisfatórias; contratos curtos, muitas vezes renovados a cada dois ou três meses, o que exclui o período de festas de final de ano quando o operário volta pra casa e não recebe este período, recomeçando o trabalho em janeiro preso a um novo e curtíssimo contrato. Segurança mínima mesmo, de saúde e financeira. Estou na torcida para que isso melhore, pois afinal a Italia tem potencial.

Para incluir estatísticas: Estava assistindo uma discussão num programa da RAI News sobre segurança no trabalho. Segundo dados apresentados, morrem em média 3 pessoas por dia devido a acidentes no trabalho e discutiam-se estratégias preventivas e ao mesmo tempo a passividade dos empresários , que choram depois pelo infortúnio dos operários e pelo que não foi feito para ser prevenido.

A indignação ao menos não parece ser só minha.

Dia 06, hoje, foi aprovado pelo Conselho de Ministros um Decreto sobre segurança no Trabalho, com repercussões negativas entre alguns empresários. E claro, meses se passarão até que os 303 itens do Decreto possam ser negociados entre o Governo e a classe empresarial. Mas já é um alento, algo precisava urgentemente ser feito e está sendo. Ponto para o governo que está encarando a questão de frente.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Historias de Cidadania - Certidão de desembarque

Eu considero muito justo os comunes seguirem as regras apesar de gostar que eles fossem um pouco mais flexiveis.

Hoje estive num comune de um requerente porque o comune onde foi dado a entrada na prática da cidadania pediu para o comune do antenato não só a confirmação do Atto di nascita mas também um comprovante da data de entrada no Brasil. Procedimento esse que está se espalhando entre os comunes, talzez uma forma a mais de prolongar o reconhecimento de mais um cidadão italiano, visto que estamos à beira das eleições e qualquer emigrante dotado de um tico e um teco não votará no Berlusconi. Será que tem algo a ver com isso ou estou delirando?

Bom, tomei o trem e fui até o comune onde me atendeu uma pessoa razoavelmente simpatica que disse que iria verificar se o email do comune já havia chegado (5 semanas depois de ter sido mandado), procurou, procurou , achou, expediu um atto de nascita na hora e disse que não tinha havido tempo ainda (??????) para que os arquvos fossem encontrados para responder às questões do comune.

E disse que essa semana não seria possivel, e talvez dentro de tres semanas, - tres semanas a mais ! e eu não consegui deixar de escapar um oh! de espanto e de decepção. Frente a isso, ela disse que talvez se eu fosse afortunada e esses dados seriam encontrados rapidamente. Pedi aos Céus que sim, que ela tenha realmente se tocado e tenha uma atitude humana e profissional. E que logo logo esses documentos "apareçam" - e olhe que esse é um comune informatizado.

Aconselho a todos que estão nessa maratona da cidadania juntar mais um documentinho, que é a certidão de desembarque. Traduzam e legalizem e isso vai poupar semanas nesse momento que está virando moda pedirem essa certidão, e a menos que eu esteja muito desinformada, anteriormente só o Trento pedia.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Sonhos e Devaneios

A minha professora de italiano queria entender o que traz os brasileiros para a Italia, coisa que me parece que os italianos não entendem; o que move os italo-brasileiros para esse país com uma economia tão precária, um povo velho de idade e "vecchio di testa", como ela disse. Cabeça fechada para qualquer coisa que não seja a própria Italia. Agora digo eu: um cachorro correndo atrás do próprio rabo, num circulo vicioso e infindável.

Acho engraçado como os italianos, pelo menos os dessa região que é de quem posso falar, amam o Brasil e os brasileiros, mas os brasileiros "no Brasil". O Brasil é o país que pertence ao imaginário do povo italiano; mesmo para aqueles que o conhecem pessoalmente, o Brasil permanece em festa o ano todo e o povo só se diverte. É impressionante a visão infantil que eles têm do nosso país.

Nordeste e Rio de Janeiro e época de férias é o estereótipo do Brasil. Não pensam em São Paulo, na riqueza do interior, nos outros estados a não ser o Amazonas por causa do rio, na distribuição de riqueza desigual, no trabalhador árduo que o brasileiro é. Não pensam em nenhuma outra cidade como produtora e distribuidora de riquezas. Em geral, só existe para eles as praias e o carnaval, a batucada e a caipirinha.

Mas como você veio embora do Brasil pra cá, perguntam à mim e à minha filha principalmente, por não entenderem porque uma jovem abandonaria um local tão cheio de alegrias e prazeres, onde se dança o tempo todo, se ri e se diverte. Acho que pensam que o estado nos nutre e a vida é só carnaval o ano todo. Ainda continuam acreditando na "terra promessa", onde inexiste o trabalho.

Penso que o sonho do italiano é viver de papo pro ar o ano todo, claro que com o Estado patrocinando.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Emigrantes e emigrados

Terminei hoje de completar a listagem dos pedidos de passaporte de Volpago del Montello, Selva e Venegazzù, essas duas últimas, frações de Volpago, de 1876 a 1888.

Ao escrever nome por nome, um pouco dessas pessoas que logo se transformam em multidões povoam a minha mente e me sinto um pouco parte delas.

É impressionante a quantidade de familias, inteiras, que deixaram a Itália. De Volpago del Montello e das frações Selva e Venegazzù foram 430 chefes de familia, homens na sua maioria com a mulher e os filhos, Às vezes mães, pais, genros, noras, cunhados, sobrinhos, netos, irmãos, ou chefes de familia mulheres, muitas também.


A falta de vontade política deixou populações inteiras sem perspectivas e roubou do País, a Italia , gerações. E das gerações roubou a vontade de continuar ser e de viver a vida italiana tendo que buscar por isso outro país que os acolhesse.

O mesmo processo hoje está ocorrendo no Brasil, e é espantoso ver tantos e tantos jovens, educados ou não, estudados ou não, profissionais ou não, chefes de família ou não, procurarem outra possibilidade de vida , deixarem os laços familiares, profissionais, pessoais, o passado para trás para poderem enxergar o futuro.

E enfim a classe política italiana que rejeitou seus cidadãos, continua hoje ainda sem ter criado uma base econômica para sustentar tanto os italianos de nascimento, assim como os de sangue.

E mostra que o Brasil pode segundo o exemplo da Italia perder uma ou duas gerações, que serão irrecuperáveis, causando ao País o mesma desesperança, a mesma falta de perspectiva do jovem italiano que não tem força e garra para mudar o seu país.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Histórias de cidadania - reconhecimento tardio de paternidade

Um conhecido meu, vindo de Londres pra fazer a prática da cidadania, despencou aqui nesta região depois de outras paradas anteriores na Italia. Seus filhos fizeram a prática em Treviso, e para isso ficaram ali cerca de 1 ano e meio. Bem, só podia. Pois como a gente sabe, nas cidades grandes isso demora.

Mesmo assim lá foi ele para Treviso, anos depois dos filhos, e percebeu que seu processo seria muito longo; decidiu retardar e voltar em outro momento para outro comune.

E lá veio ele no final do ano passado. Deu entrada nos papeis, com a non-renuncia na mão - privilégio de poucos, e esperou. Primeiro esperou que o comune analisasse tudo, depois que o comune se comunicasse com Treviso para verificar a situação do seu processo, e depois, passado o vigile, ficou mais tranquilo. Com a mancata na mão tudo parecia simples. Porém, depois de 3 meses de espera ainda nada estava definido.

Num appuntamento definitivo, em conversa com o responsável do comune onde o processo estava correndo, ouviu com a tradução de uma amiga, olhos nos olhos, que infelizmente não havia o que ser feito, o responsável não sabia como resolver o caso dele e o aconselhou, empurrando os docs em sua direção, a procurar outro comune, deixar de lado todo o processo dos filhos e começar de novo. Isso porque a sua paternidade foi reconhecida tardiamente e, segundo a lei italiana, quando isso acontece, o filho deve ir ao Consulado Italiano da sua região no país onde mora e assinar um documento que aceita este reconhecimento de paternidade. Nessas, o tempo passou, e aqui esperando há meses e já quase sem dinheiro, soube neste dia que por isso ele não era nem seria italiano.

No susto e quase sem palavras, explicou sua situação, seu desespero, seus gastos, etc., o que foi traduzido pela sua amiga. O responsável do comune pensou um pouco e ligou para uma pessoa que, depois de alguns minutos de conversa, e por sorte dele apontou a solução para o seu problema:

Há uma brecha na lei que permite que as pessoas nesta situação assinem um documento onde a pessoa aceite a paternidada em frente a um oficial/capo com poderes para tal, e assim se torne cidadão italiano.. Aqui na Italia não basta que seu pai queira que voce seja filho, voce precisa querer que ele seja seu pai. O incrível é que se ele tivesse feito este procedimento no Brasil, aí sim ele não poderia requerer a cidadania, pois quando se aceita a paternidade tardiamente você tem um prazo de poucos anos para requerer a cidadania, anos que já haviam passado.

Situação resolvida. Outro dia estive em sua cerimônia em seu comune. E desta vez, mais do que outras que já acompanhei, o brinde foi mais do que necessário.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Saúde púbica x saúde privada

A água dessa região tem muito calcáreo, a água quando ferve, fica uma nata branca, inclusive a maioria das aguas minerais.

Fiquei preocupada com isso porque eu faço reposição de cálcio, e liguei para o seguro de viagem que eu tinha feito para os tres primeiros meses de viagem. Ele cobre medico particular, exames, entre outros...

Como eu fiquei com uma dor abdominal falei por telefone no começo da noite com o seguro que me ofereceu um medico para vir em casa, mas como não era nada urgente, pra ser razoavel eu não quis deslocar um medico á noite.

No dia seguinte ao falar com o seguro novamente, foi sugerido que eu fosse para Bassano del Grappa para um pronto socorro e que eles mandariam um fax para que eu fosse atendida. Fui para Bassano, cheguei e tinha muitas pessoas na fila, o que se espera do pronto socorro de hospital publico, então percebi que tinham me mandado pra fila do INSS italiano e me mandei de lá. Se eu não tivesse pago o seguro eu não poderia reclamar, afinal o mesmo serviço funciona para todos. E depois fiquei sabendo que não havia sido mandado fax algum.

Liguei para o seguro novamente e marquei uma consulta no médico de base, que era o mais perto de casa, e que era por "coincidência" o mesmo medico q eu teria acesso caso estivesse usando o convenio do INSS Brasil-Italia , ou o mesmo serviço que eu teria direito se eu tivesse feito a Tessera Sanitária. Então paguei o serviço de uma assistência particular e o que eu acabei recebendo foi a mesma assistência a que todo morador da Italia tem direito, sem nenhuma diferença. Pelo menos no que se refere à consulta médica, e eu gostei da médica, mas tive que desembolsar 50 euro.

Com a preocupação da água, fui fazer alguns exames num laboratório particular, e mais uma vez me decepcionei com laboratório, pelo menos na aparência e a qualidade dos exames não tenho condições de avaliar. E tive que desembolsar mais 88,80 euro, eu que achei que o seguro se encarregaria de todas as providências.

Tive sorte, está tudo bem. Mas faço reposição hormonal, e pasma, fiquei sabendo que na Italia não se fabricam hormonios femininos e que a médica nem sabe o que fazer nessa situação mas ficou de pesquiasr. E estou esperando há 15 dias que ela me telefone , e apesar da minha insistência , estou a ver navios, e ela mesmo não sendo Madalena, deve ter ido pro mar...

E espero não ficar com o bolso mais vazio e o seguro reembolsar essas despesas. Pelo menos até agora, fazendo o balanço não valeu a pena eu estar pagando o seguro, mas em caso de um problema mais sério, eu pretendo nem descobrir. O que importa é que estou bem e não estou precisando nem de médicos e nem de hospitais.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Males e benes da Italia

A Italia é linda, a região onde estou morando é cheia de vinhedos e oliveiras, com uma grande atividade industrial.

Parece perfeito, mas o que incomoda é que das 12:30 às 15:30 está tudo fechado, de domingo idem, de segunda também, quarta depois do almoço, muitos. Nas fábricas ainda não sei como funciona. Bancos estou em dúvida, depois complemento.

Sinto a economia estaganada, as pessoas num marasmo que não sei o que é pior, se o stress de São Paulo ou o stress do não fazer aqui na Italia.

Se a economia estivesse bem, eu diria, tudo bem, é tradição, mas os italianos não estão pagando os financiamentos, vivem com salários ou rendas minguados, tudo bem, a classe média vive melhor aqui do que no Brasil. Mas a longo prazo se não forem feitas grandes mudanças não vejo um céu muito "sereno" pra essa classe média italiana que já está à beira da insolvência.

E descobri, claro que à custa da experimentação, que se um produto é muito mais barato que outro, ele é tecnologicamente ultrapassado. O que a princípio irrita, mas quando entendemos que todas as pessoas podem ter acesso por exemplo, a uma máquina de lavar roupa - o que não acontece no Brasil - logo veremos que é uma qualidade do país.

Seguindo com o exemplo de uma máquina de lavar roupa, com 400 euros se compra uma que funciona bem, mas uma Bosch com mais recursos tecnológicos custa 800 euros, aproximadamente, o dobro do preço. Isso sem falar das moderníssimas máquinas que lavam a vapor e o preço mais que triplica em relação às de menor tecnologia incorporada.

Essas máquinas não sei se chegaram ainda ao Brasil pro consumidor final, são bárbaras, e usadas nas lavanderias mais modernas no Brasil, mas o preço aí é compatível com a sua modernidade. Quanto mais, mais. E comparativamente todas são muito mais baratas que no Brasil.

Mas no quesito serviços, o primeiro mundo é o Brasil.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Mas, e sempre tem um mas na vida. Estou me sentindo só, sem os amigos, sem tudo o que era conhecido, mesmo que fosse o grito da criança do vizinho, o buzinar frenético ao longe dos carros na avenida, o trânsito caótico da Av. Paulista, da Dr. Arnaldo, da Av. Heitor Penteado, trânsito que conhecemos, reações tão semelhantes que deixam de ser agressivas para se tornarem parte de um dia a dia que deixamos para trás.

Mas tem o outro mas, não sinto absolutamente falta dos flanelinhas, dos mendigos nas ruas atropelando o nosso trânsito, ou eu atropelando o sono deles; das favelas e da miséria.

Pelo menos aqui nessa região onde estou, me sinto abrigada dessas calamidades sem nunca deixar de lembrar que neste país também começa a crescer um vasto contingente de imigrantes africanos, asiáticos, da europa ocidental, do oriente médio, começando a criar o que nunca os italianos tinham visto, as favelas, os cortiços, os roubos e a violência.

Internacionaliza-se não somente o capital mas também a ausência de estrutura para suportar o crescimento e as migrações, assim como migram as empresas, continua o homem a procurar melhores condições de vida e nem sempre encontram o abrigo das instituições para tal empreitada.

E enquanto aqui ainda deixam-se mercadorias dormirem do lado de fora da loja, rezo e peço a Deus/Universo que fiquem preservadas as relações de confiança entre as pessoas.

Horizontes


Em São Paulo o que mais me fazia falta, apesar de eu morar numa casa e acordar com a algazarra dos piriquitos, sábias, ben-te-vis e outros que não me recordo o nome, era poder ver o horizonte. Ver o horizonte acalma, estabiliza o sistema de equilíbrio do ouvido, cura até náusea - quando estiver viajando e enjoar, experimente fixar o olhar no horizonte, os líquidos que nos proporcionam o equilibrio se assentam e a náusea passa - e nos deixa em paz conosco mesmos. Porisso quero partilhar com voces, meus companheiros de viagem, o "meu horizonte". O "meu" nascer do sol,






E dos fundos do meu apto, à esq. o "meu" Por do Sol

Como não se sentir maravilhosa e abençoada pela natureza podendo usufruir de toda essa beleza?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Cinzentos e Nublados Dias, mas nem menos bonitos por isso

Mason


Assim com pra Roma o Papa é o mais importante, nesse momente a internet pra mim é o que importa, senão não posso falar com os amigos e muito do que é fundamntal para mim fica para trás.

Mason

E poxa, se eu falo ficar para trás lembro da Iris, hoje estou demais sentindo a falta dela.Sei que o pelo dela não está bonito, e isso significa que ela está infeliz com a minha ausência. Mas daqui a tres ou quatro meses, e já se passaram quase dois ela vira para cá. Já tomou a segunda dose da vacina e agora vai ter que enfrentar de novo a quarentena.


Chegando a Basssano Del Grappa



Mas parece que a minha vida, fora isso, aos poucos vai entrando nos eixos. Os problemas aos poucos se arrumando, a vida se acomodando; mas é nesses momentos em que podemos parar e nos sentir, que bate a solidão, a saudade. No atropelo do dia a dia, com situações a serem resolvidas, nem lembramos do que e de quem deixamos para trás. Mas quando nos vemos frente a frente sem a atividade para mascarar os sentimentos, vem a enxurrada de emoções que se não foram reprimidas, foram empurradas para o inconsciente. E nessa batalha do consciente e do inconsciente, o inconsciente sempre ganha. E vem à tona com tudo, como que para lembrar quem realmente somos.




E o dia cinzento e gelado colaborou, para mim o mais gelado que vivi aqui. Não dá para superaquecer o apto, nem virar uma múmia no meio de tanto agasalho, então sentir um pouco o frio até que é saudável, mas agora estou me preparando para mergulhar numa cama e colocar mais um acolchoado, e dormir no quentinho e macio. E esperar que o sol venha nos brindar com mais um dia glorioso.